Arte como conhecimento: o que significa?

 

A Arte é fundamental para olhar o mundo com uma visão alargada, muito além do visível.

A arte no desenvolvimento infantil, não pode ficar restrita a educação artística na escola, pois, as escolas ainda apresentam pouca contribuição e muitas defasagens no ensino da Arte. Duarte Jr. (1991), indica que a educação em arte tem sido tratada, em grande parte, como supérflua nas escolas brasileiras, sendo apenas disciplina “decorativa”.

O professor pode favorecer ou podar a expressão de ideias em sala de aula, representando neste último caso, um bloqueio considerável à criatividade. Contudo, o papel da Arte não se resume a infância, pois, as crianças ainda estão em desenvolvimento. Logo, na infância, ainda não estão em um nível de leitura subjetiva, ou seja, as crianças não apresentam um pensamento complexo, bem como, ainda não manifestam a metacognição ( o pensar sobre o pensar).

Ora, o papel da arte é fundamental para toda a vida. Nesse contexto, é importante o contato com as linguagens artísticas desde criança, passando por todas as fases de desenvolvimento, até a idade adulta. Pois, sempre vamos aprender e potencialmente desenvolver nossas capacidades, sendo cognitivas ou afetivas, bem como, habilidades motoras, entre outras, através da Arte.

A Arte se apresenta nas linguagens: Música, do Teatro, das Artes Visuais e Dança. Por meio da arte, aprendemos a observar o mundo com um olhar alargado.  

Para tanto, é necessário constantemente aprender através da arte, o que indica que precisamos do mínimo da técnica e da contextualização (conhecimento da história da Arte). Entretanto, é significativo e fundamental a fruição (visitas a museus, peças teatrais, concertos musicais e espetáculos de dança), bem como, a interpretação e produção artística. 

As teorias do desenvolvimento cognitivo explicam que o pensamento formal sucede o pensamento concreto, assim, proporcionando um acréscimo no nível de abstração dos indivíduos. O mesmo se pode dizer no domínio da interpretação estética. Pois, nos níveis mais elementares da leitura estética, há uma maior correlação com os fatores cognitivos. Sendo que, quanto maior é o nível de complexidade e sofisticação da leitura, menos importante e determinantes se mostram os fatores cognitivos. Logo, o  observador passa a valorizar a interpretação pela subjetividade (ROSSI, 2009). 

Ficou evidente a grande defasagem na construção do pensamento estético dos alunos sem familiaridade com arte. Destacamos que no Brasil poucos de nós temos conhecimento artístico de modo profundo, pois, a Arte ainda é um desafio, uma necessidade que poucos conseguem observar. Por isso, mesmo pessoas com nível superior, apresentam uma defassagem em interpretação das subjetividades, com uma leitura rasa de fatos. Pois, sabemos que a Arte não alarga apenas o olhar estético e poético, mas a própria leitura de vida (ROSSI, 2009).

Conforme ilustra Edwards (2005), sobre a habilidade do pensamento formal na reflexão sobre o próprio pensamento, o que garante interpretar a arte, é um tipo de ação que pode ser compreendido como uma capacidade de perceber as coisas, sob um novo olhar, em sua complexidade, enxergando possibilidades de novas combinações. Nesse sentido, a  Arte surge como uma tentativa de nos apresentar as questões da experiência humana em reflexões, como forma de expressão, comunicação e conhecimento, para receber e transformar as formas de ver. 

Tendemos a vislumbrar o que esperamos enxergar ou o que pensamos ter identificado. Esta expectativa, ou decisão, entretanto, costuma não ser um processo questionador, de modo consciente. Para Rossi (2009) quando o aluno vai aceitar que poderá haver mais de uma interpretação válida para a obra., é quando ele deixa de ser um decifrador das intenções do artista, para trazer a sua própria interpretação. 

Assim, mais do que expressão de ideias do artista, a arte atua como meio de desenvolvimento intuitivo da consciência.

O conhecimento construído é um processo intelectual. No entanto, é também intuitivo na construção da percepção social, cultural e da história. O conhecimento acontece pela racionalidade da argumentação e da reflexão, como também, pelo sensível da emoção, da intuição, da percepção, da imaginação e da criação. 

Sendo assim, as ciências e as artes se fundem na descoberta e criação intuitiva. O homem cria por necessidade e a experiência racional também é intuitiva. Nesse sentido, qualquer ato que fomente a arte envolve uma esfera intuitiva, revelando a imaginação dos nossos pensamentos que influenciam nossos sentimentos. As artes são reflexos do que somos e daquilo que de alguma forma conhecemos, e nesta perspectiva promovem novas conexões na compreensão da realidade, o que indica que a aprendizagem não se resume às operações lógicas, mas invade, mesmo, a dimensão sensível e afetiva do indivíduo. 

Logo, a intuição não é um instinto, mas gravita na órbita da razão e adquire forma na expressão criativa. Significa que a experiência estética não é uma indução, é um ato de descoberta. Para Fayga Ostrower (2004), toda experiência estética, mesmo que racional, será também intuitiva. 

Morin (2000), situa esta questão, ao chamar a fantasia e o imaginário, capaz de trazer à cena da aprendizagem a dimensão desejante, em conexão com as subjetividades. São as necessidades humanas, sonhos e desejos, que pulverizam ideias, refletidas em imagens do mundo de fora, ou seja, exterior.

Para Vigotsky (1999) em um nível mais arrojado de percepção, a interpretação artística possibilita tanto ao indivíduo, quanto à sociedade, a renovação valorativa do universo social.

BRICHTA, Simone de Fátima. A importância da interpretação imagética na época atual: educação visual. ENCONTRO CEARENSE DE HISTORIADORES DA EDUCAÇÃO, 15.; ENCONTRO NACIONAL DO NÚCLEO DE HISTÓRIA E MEMÓRIA DA EDUCAÇÃO, 5.; SIMPÓSIO NACIONAL DE ESTUDOS CULTURAIS E GEOEDUCACIONAIS, 4., 16-18 out. 2016, Fortaleza (CE). Anais... Fortaleza: Edições UFC, 2016. p. 516-524.

 

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